

Na manhã de 11 de abril, voltamos ao Museu Militar Conde de Linhares, para muitos, apenas o que é hoje, mais um museu...


Para os Oficiais R/2 formados até 1968, como é o meu caso, o nosso velho CPOR do Rio de Janeiro.


Aquele mesmo, fundado pelo patrono, o Tenente Coronel Luiz de Araujo Correia Lima.
O 1º CAOR (Ciclo de Atualização de Oficiais da Reserva) prevê a realização de 06 (seis) jornadas, sempre aos sábados pela manhã, das 08:30 às 12:00, a saber: dias 28 de março, 11 de abril, 16 e 30 de maio, 13 e 27 de junho. A principal razão do modelo em sábados espaçados é interferir o mínimo possível nas atividades particulares dos participantes, maximizando as suas presenças.
O primeiro, um retumbante sucesso, aberto pelo próprio Comandante do Exército, General Villas Bôas, pode ser visto em:
Comandante do Exército abre, com palestra, o 1º CAOR
Como viram acima, pelo nível dos palestrantes, algo difícil de superar ou mesmo imitar, mas vamos voltar para o auditório, que, por coincidência, era minha sala de aula do Curso de Artilharia.
Naqueles tempos difíceis do Brasil e de um Exército muito mais pobre, o CPOR/RJ formava anualmente 600 Aspirantes a Oficial, mas, como era feito em 2 anos, seu efetivo era de 1.200 homens.
Hoje, o CPOR do Rio, lá na Favela da Maré, forma apenas 200 homens...

Assim que o General de Divisão Eduardo José Barbosa, Subcomandante de Operações Terrestres, acompanhado do General de Divisão Marcio Rosendo de Melo, Presidente da ANVFEB, General de Brigada Walter Nilton Pina Stoffel, Diretor do Patrimônio Histórico Cultural do Exército, do General de Brigada Luis Antonio Silva dos Santos, representando o Comandante Militar do Leste e do Tenente Sérgio Pinto Monteiro, Presidente do Sistema CNOR, deram entrada no auditório, para o início do 1º CAOR, foi entoado o Hino Nacional Brasileiro.
PALESTRAS
1 - COMANDO MILITAR DO LESTE
Gen Ex Fernando Azevedo e Silva

O General Fernando, hoje Comandante Militar do Leste, e que deixou a Presidência da Autoridade Pública Olímpica (APO) para assumir o CML, hoje estava em missão supervisionando a troca de parte do seu efetivo da Força de Ocupação da Maré pela Polícia Militar e designou o General Santos para fazer a sua palestra sobre as Olimpíadas 2016 e o Tenente Coronel Brun (Operações do Comando e Controle do CML) para falar da Maré.

Conhecemos o General Santos desde que, Coronel, Comandava o Centro de Estudos de Pessoal no Leme.
Como General assumiu o Comando de uma Brigada de Artilharia Antiaérea em Guarujá (numa bela praia militar onde o então presidente Lula gostava de ir, longe do público, como a Presidente Dilma gosta de descansar numa Base Naval de Aratu em Salvador – Nota do Editor) e depois a DEPA, uma das Diretorias que compõe o DECEX - Departamento de Educação e Cultura do Exército.

Hoje, já na reserva, trabalha na AJO, Assessoria Especial para os Jogos Olímpicos, que funciona no PDC.

O General Santos apresentou as ações e atividades para os Jogos Olímpicos e paralímpicos de Rio 2016, em particular aquelas desenvolvidas na área da Vila Militar.

O número de pessoas envolvidas é fabuloso e o número de militares encarregados da segurança, passa dos 20 mil.

No Rio temos grandes jogos em quatro áreas, Copacabana, Maracanã, Barra e Vila Militar. Fora do Rio, os estádios de futebol de Manaus, Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador além de dois estádios no Rio.

Se o leitor pensa que a Copa foi uma grande evento, leia os números impressionantes da Olimpíada carioca!

Teremos 41 campeonatos mundiais em 41 dias... Serão 10.500 atletas de 204 países. O Exército já tem 25.100 profissionais de mídia credenciados.

Isso sem contar no controle de 70.000 voluntários e que já tivemos 8,8 milhões de ingressos vendidos.
Achou muito? Não? Então anote: no dia 10 de agosto de 2016, a 1ª quarta-feira dos jogos, teremos um total de 48 eventos esportivos, ocupando nas 4 regiões, 109.000 funcionários diretos, 30.000 funcionários de segurança, 35.000 funcionários indiretos...

Preste atenção! Não estou falando (Editor que assistiu à palestra) da abertura dos jogos e sim de um dia de semana qualquer, comum, sem a presença de Chefes de Estado.

Mesmo assim, nos quatro lugares que falei, são esperados um público de 230.000 pessoas na Barra, 55.000 em Copacabana, 45.000 em Deodoro e 108.000 pessoas no Maracanã!

O General mostrou as obras e seu andamento, principalmente as da Vila Militar, a estrutura montada na AJO, a parceria e integração com todos os órgãos e do legado que ficará depois dos jogos...
Depois passou a palavra para o Tenente Coronel de Artilharia Marcelo Marques da Silva Brun que é o Chefe da Célula de Operações do Centro de Operações do Comando Militar do Leste.
Começou informando que pelo Protocolo assinado em 7 de janeiro de 2015, o Exército passará o controle da área ocupada no complexo de favelas da Maré em três etapas:
- 1º de abril – Roquete Pinto e Praia de Ramos;
- 1º de maio – Parque União, Parque Maré, Rubens Vaz e Nova Holanda;
- 30 de junho – Todo o complexo.

A missão foi um excelente treinamento para a tropa que em rodízio foi se revezando a cada dois meses aproximadamente. Tivemos os seguintes contingentes:
- Bda Inf Pqdt (Rio de Janeiro)
- 6ª Bda Inf Bld (Santa Maria – RS)
- 4ª Bda Inf L Mth (Juiz de Fora)
- 11º Bda Inf L (Campinas)
- 14ª Bda Inf Mtz (Florianópolis)
- 10ª Bda Inf Mtz (Recife)
- 3ª Bda Inf Mtz (Cristalina – GO)

Força de Ocupação da Maré ou do Alemão, são nomes conhecidos pela mídia e pelos civis. No meio militar, são respectivamente as Operações São Francisco e Arcanjo.

E vimos os números (dados estatísticos de apreensões) comparando uma e outra...

Os números referentes à Maré, também impressionam. As operações e apreensões dão um prejuízo estimado de mais de cinco milhões por mês.

Da experiência vivida no Haiti e depois com a ocupação do Alemão e Penha, o Exército já tem boa expertise e elencou as melhores práticas que estão em uso:
- Tropas atuando em toda a Área Pacificada 24 horas/dia 7 dias/semana;
- Pontos fortes (como vimos no Haiti), estabelecidos como bases de patrulha;
- Operação de saturação
- Pontos de visibilidade: regatar a sensação de segurança da população;
- Importância do patrulhamento a pé (PRINCIPALMENTE), blindado/mecanizado em apoio à tropa e motorizado;
- Ação de Comando: presença de comandantes em todos os níveis no terreno, em patrulhas (Cmt Bda, Cmt Btl, Cmt Cia, Cmt Plt...);
- Operação de informação: sincronização das demais operações;
- Emprego da engenharia na remoção de obstáculos no interior das favelas;
- Eficiência no emprego de blindados e motocicletas nas operações;
- Empregos de cavalos e cães de guerra para a dissuasão, sendo também enfatizado o emprego de cães farejadores na busca e apreensão;
- Gravação e fotografia das ações com câmeras portáteis (GoPro nos capacetes);
- Comando e Controle, Guerra Eletrônica, sistema Pacificador, helicópteros/VANT, e tecnologia não letal: maior poder de combate;
- Cumprimento das regras de engajamento;
- Abordagem de forma educada, mesmo com elementos suspeitos;
- A condução de presos deve ocorrer de forma acelerada para evitar aglomeração de populares;
- O modelo jurídico adotado colaborou com a operação, principalmente, a adoção de uma Delegacia Policial Judiciária Militar;
- Necessidade de maior atenção do Estado e Município, no atendimento imediato das carências da população.

Essas melhores práticas trouxeram inúmeros benefícios e resultados estratégicos para o Força.

2 - COMANDO DE OPERAÇÕES TERRESTRES
Gen Div Eduardo José Barbosa
O palestrante seguinte, um bom amigo de longa data. Hoje Subcomandante do COTER que inclusive visitamos com todos os Presidentes de Associações na última reunião de Diretoria do Sistema CNOR em Brasília, julho passado.

Mas por coincidência, o General Eduardo foi também Diretor do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, palestra seguinte, do General Stoffel.

Quando o Gen Eduardo estava no DPHCEX, participamos de um Seminário da Tríplice Aliança, onde percorremos todas as cidades, no Brasil e no Paraguai, da famosa Retirada de Laguna.

Naquela ocasião, a jornada terminava em Ponta Porã cuja metade da cidade é a paraguaia Pedro Juan Caballero e aproveitamos para visitar o famoso Cerro Corá, onde tombou Solano Lopez.

O General detalhou o COTER, seu organograma e o funcionamento das quatro Subchefias.
A missão do COTER é orientar e coordenar o preparo e o emprego da Força Terrestre, calcados na missão do Exército que é “contribuir para a garantia da soberania nacional, dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, salvaguardando os interesses nacionais, e cooperando com o desenvolvimento nacional e o bem-estar social”.
Ao ver o Quadro de Instrução, ele é uma coisa que sempre me impressiona na organização das FFAA.
Sempre que vou ao Gabinete do Cmt do CPOR/RJ, fico olhando embevecido, pois nunca vi nada parecido em nenhuma repartição civil.
O ano INTEIRO já começa todo programado, dia a dia, feriado a feriado. Todo Aluno de CPOR/NPOR ou Cadete da AMAN, sabe no primeiro dia, tudo o que vai fazer e acontecer em todos os demais 364... É algo simples, mas uma prova cabal do sofisticado grau de organização militar.
O Subcomandante de Operações Terrestres mostrou não só todos os sistemas usados na orientação e controle do plano de instrução para o ano de 2015, como todos os projetos e operações da tropa programadas.
Mas, apesar do belo planejamento, calcado no orçamento do ano anterior, este Editor acha que muita coisa será contingenciada, pois, como vemos no despertar deste ano, o Brasil está quebrado.
O país, estados e municípios gritam por falta de dinheiro enquanto os escândalos de corrupção desenfreada desfilam nos noticiários: Petrobrás, Receita Federal e, dizem, que o maior de todos ainda não foi “atacado” pela Polícia Federal, o BNDES.
Acreditamos também que com a experiência desses cortes, o COTER saberá remanejar recursos para aquilo que julgar mais importante.
È um ano, como disse o General Eduardo, onde tudo se volta para o planejamento e acompanhamento das Olimpíadas Rio 2016 no próximo ano.
Tanto que a incorporação deste ano foi um pouco atrasada para cumprir a lei e a tropa só dar baixa após a realização dos jogos.
Tanto que, no PIM 2015 (Plano de Instrução Militar), algumas particularidades foram destacadas:
- Recomendações do COLOG a respeito de manutenção de viatura militar;
- Segurança na instrução;
- Estágios de Preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016;
- Estágio de Operações de Controle de Distúrbios e Tecnologia Não Letal;
- Estágio de Operações de GLO.

Mostrou também os diversos simuladores usados para baratear o custo das instruções com blindados, helicópteros e artilharia, em muitos exercícios, combinando simulação e realidade...
Na Assessoria de Programas de Governo, destacou que o Projeto Soldado Cidadão, que visa a preparar o soldado para o mercado de trabalho quando voltar à vida civil, qualificou mais de 170 mil militares do Exército, sem contar no Projeto Forças no Esporte onde 65 Organizações Militares treinam crianças de 10 a 15 anos no esporte.
Não nos esqueçamos que no ano que passou tivemos inúmeros grandes eventos como a visita do Papa Francisco, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo e outros. Sem contar eleições e a Operação São Francisco ainda em curso na Maré.

No campo da defesa externa, muitas Operações como a Ágata 9 e Anhanduí em nossas fronteiras secas...
Detalhou algumas operações em andamento:
- Operação Pipa (distribuição de água no semiárido);
- Mais Médicos (transporte de supervisores na região amazônica);
- Operação Pontes – LSB (apoio ao tráfego na BR-163);
- Projeto Rondon.
Foram muitas informações e terminaram com um filme compactando todas estas informações do COTER, mas, como esta ANTA aqui não levou um “pendrive”, não pude copiá-lo. Passo um sobre a CAATINGA, um dos centros de instrução do COTER e, para nós que vivemos no sul e sudeste, um ambiente hostil e bem diferente da nossa mata Atlântica. (Nota do Editor)
3 - DIRETORIA DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL
Gen Bda Walter Nilton Pina Stoffel
Conhecemos o General Stoffel quando comandava a Escola de Comando e Estado Maior do Exército.
E durante a palestra, quando mostrou um equipamento de Câmara de Tiro de Artilharia de Costa, um Corretor de Direção de Tiro M-1 que o DPHCEx restaurou, vimos mais uma coisa em comum já que este escriba sempre serviu na extinta Artilharia de Costa, primeiro no 3º GACos (hoje Forte de Copacabana e Museu do Exército) como Aspirante e depois, na 1ª/1º GACosM já como Tenente.
Note que enquanto a totalidade de Artilheiros conhecem a Central de Tiro, na extinta Artilharia de Costa, essa Seção era denominada Câmara de Tiro... No Forte de Copacabana há uma bem preservada para visitação, a da 2ª Bia de 190mm.


Sua palestra foi sobre a Cultura Militar e a Gestão Cultural no Exército Brasileiro.
Cultura é algo vastíssimo e engloba memória, costumes, valores, história, construções, artes, comportamento, obras, tradições... e manutenção das tradições é o que vemos – infelizmente, quase que apenas nos quartéis.
Falar de cultura ou de história militar é falar da própria História do Brasil.

E começou bem antes de Guararapes com a expansão de nossas fronteiras através de Tordesilhas, passou pela expulsão de estrangeiros (Holandeses e Franceses) em nossa costa, pacificação e consolidação do império nas lutas platinas...
O culto a nossos heróis... Alguns como Caxias deixou no imaginário popular, quando alguém é chamado de Caxias, queremos dizer que esse alguém é estudioso, dedicado, probo...

Citou o Comandante do Exército, General Villas Bôas nas palavras:
“As características e valores que definem a identidade, alicerce da coesão do organismo EB, constituem hoje nossa moldura institucional e nossa essência”.

A missão do DPHCEx é Pesquisar, Planejar, Dirigir, Coordenar, Acompanhar e Controlar as atividades que visem à preservação, divulgação e utilização do Patrimônio Histórico e Cultural, material e imaterial, do Exército.

Sintetizou este hercúleo trabalho em uma frase: PRESERVAR, PESQUISAR E DIVULGAR A CULTURA.
Como chegar ao Museu Militar Conde de Linhares
Filmado pela minha Camera veicular HD (Editor)
