

Voltamos do café e o Tenente Monteiro anunciou a última e mais esperada palestra que encerraria o 1º Ciclo de Atualização de Oficiais da Reserva.
Informou ao General Heleno que havia na plateia um Oficial Superior da Marinha, o Comandante Clair do Corpo de Fuzileiros Navais, também Oficial R/2 do Exército.
E um ex-combatente, o Tenente Israel Rosenthal, veterano da FEB, e que, assíduo, esteve presente em todas as meia-dúzia jornadas que compuseram o 1º CAOR.

E assim, sem mais delongas, passou a palavra para o Gen Heleno.
O General de Exército R/1 Augusto Heleno Ribeiro Pereira nasceu em Curitiba em 1947 e foi declarado Aspirante na AMAN em 1969.
Como General de Divisão, foi o primeiro comandante da Força Militar da Missão da Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), de Maio de 2004 a Agosto de 2005 (onde os combates com as gangues rebeldes foram mais acentuados). Como General de Exército, foi Comandante Militar da Amazônia e muito conhecido por denunciar a política errada quanto a tentativa (na época) de se criar a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol em área sensível de fronteiras.
Sua última comissão foi a Chefia do Departamento de Ciência e Tecnologia passando para a reserva em 2011 com 45 anos de serviços e 12 de generalato.
Atualmente é o Diretor de Comunicação e Educação Corporativa do Comitê Olímpico do Brasil.

Muito simpático e nosso velho conhecido (e incentivador desde que nos recebeu e apoiou no ENOREX de Manaus em 2004), foi logo avisando: “- Sei que todos estão esperando que eu vá baixar o cacete, mas não é nada disso! Vou mostrar o lado bom e bonito dos atletas de alta performance de nosso país”.
Mas logo, soltou uma piada! Fingindo estar consultando o celular, declarou: “- Estou recebendo um WhatsApp de que agora só falta colocar o Brahma no engradado”, não entendi nada... O que levou a plateia às gargalhadas.

Disse que iria falar sobre a importância dos Jogos Olímpicos/Rio 2016, para o Esporte Brasileiro.

E, como todos sabem, o protocolo militar reza que toda palestra comece com um SUMÁRIO, um roteiro da mesma com os tópicos a serem abordados e ao final, uma conclusão... Mas não foi nada disso que vimos e sim, a seguinte imagem, o que novamente tirou risos da platéia:

Começou lá atrás, com o PAN em 2007, depois fortalecido pela excelente performance do Brasil nos Jogos Mundiais Militares.
Exército e Marinha resolveram criar um projeto para apoiar atletas de alta performance.
Lembra que na época que surgiram os atletas fardados a mídia, como sempre criticou. Mas que a exemplo de advogados, administradores, médicos ou profissionais de TI dentre tantas profissões que são contratadas pelas Forças Armadas por necessidade, e que servirão como Temporários (Sargentos ou Tenentes) por tempo certo (hoje em torno de 8 anos), os atletas também tiveram seu EAS.
EAS – Estágio de Adaptação e Serviço, como o nome diz, é um estágio de 45 dias em alguma Organização Militar que prepara o homem para a vida na caserna.

Não aprende apenas a marchar e prestar continência. São muitas instruções, exercícios de campo (o que os civis chamam de acampamentos) onde dentre outras instruções tem a pista de cordas e transposição de cursos d’água...
Quando começaram a surgir as primeiras medalhas e subidas ao pódium, onde os atletas emocionados prestavam continência ao Hino Nacional e nossa bandeira, ninguém os mandou fazer isso. Fizeram espontaneamente e vibram com sua nova condição de militares.
Pense bem, disse o General, o Brasil não tem uma política nacional para o esporte e os atletas não tem apoio oficial. Ou conseguem patrocínio para se manterem treinando ou são de origem rica.
Se o famoso campeão de natação Cesar Cielo, por exemplo, entrasse em um banco para abrir conta e lhe perguntassem a profissão, ao responder NADADOR, não conseguiria abrir a conta, pois isso não é (ainda) profissão no Brasil e não provê, portanto, uma renda...
Muitos desses novos atletas contratados pelas FFAA, abriram conta pela primeira vez na vida. Tinham assistência médica, refeições, salário e tudo o mais que lhe garantissem total dedicação ao esporte.

É um Programa de Alto Rendimento onde as 114 medalhas conquistadas pelo Brasil, a China, em segundo ficou com 99, mostra o acerto da decisão.
As Olimpíadas de Londres em 2012 já mostraram bons resultados... Conseguimos medalhas.

Para o PAN no Canadá agora em julho de 2015, o Brasil terá 123 atletas militares. Na prática, as Forças Armadas representarão mais de um sexto da quantidade de atletas.

Existem oito jogadoras do basquete feminino e duas do vôlei feminino que podem ampliar essa participação militar no Pan.
Atualmente, 610 militares fazem parte do Programa Atleta de Alto Rendimento, sendo 222 da Marinha, 200 do Exército e 188 da Força Aérea Brasileira.
O apoio das Forças Armadas aos atletas, podemos resumir em:
- Financeiro: contracheque, remuneração mensal, 13º salário, etc.;
- Esportivo: locais para treinamento, material, recursos humanos qualificados nas Comissões Técnicas, participação nas competições do CISM com diárias e passagens, etc.;
- Social: plano de saúde, atendimento médico, odontológico e fisioterápico, alimentação, alojamento, etc.
É um Programa de Alto Rendimento onde as 114 medalhas conquistadas pelo Brasil, a China, em segundo ficou com 99, mostra o acerto da decisão.
As Olimpíadas de Londres em 2012 já mostraram bons resultados... Conseguimos medalhas.
Para o PAN no Canadá agora em julho de 2015, o Brasil terá 123 atletas militares. Na prática, as Forças Armadas representarão mais de um sexto da quantidade de atletas.
Existem oito jogadoras do basquete feminino e duas do vôlei feminino que podem ampliar essa participação militar no Pan.
Atualmente, 610 militares fazem parte do Programa Atleta de Alto Rendimento, sendo 222 da Marinha, 200 do Exército e 188 da Força Aérea Brasileira.
O apoio das Forças Armadas aos atletas, podemos resumir em:
- Financeiro: contracheque, remuneração mensal, 13º salário, etc.;
- Esportivo: locais para treinamento, material, recursos humanos qualificados nas Comissões Técnicas, participação nas competições do CISM com diárias e passagens, etc.;
- Social: plano de saúde, atendimento médico, odontológico e fisioterápico, alimentação, alojamento, etc.
Mostrou ainda dados da participação de atletas militares na Copa das Confederações e na Copa do Mundo, e terminou falando do fato que o Brasil – único país da América do Sul, vai sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Mostrou no mapa que isso era para Europeus e Norte Americanos (México, EUA e Canadá) além da Austrália.
Para explicar se valia a pena sediar uma Olimpíada, se reportou à história voltando no tempo das idéias do Barão Pierre de Coubertin, lançadas na fundação do Comitê Olímpico Internacional em 23 Jun 1894.
Olimpismo é uma filosofia baseada no prazer do esforço, no valor educacional do bom exemplo e no respeito pelos princípios da ética.
Lembrou os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Atenas, em 1896.
Como princípios do Olimpismo falou na Não Discriminação, Sustentabilidade, Solidariedade, Humanismo, Universalidade e Aliança entre Esporte, Educação e Cultura.
Graças a força desses princípios, o Olimpismo se consolidou e venceu períodos críticos da História da humanidade.
A chama olímpica se manteve acesa na 1ª Guerra Mundial, passou pela Guerra Fria fortalecendo valores como Amizade, Excelência e Respeito.
Hoje, qual a realidade do esporte olímpico no mundo? A ONU conta apenas com 196 países e o COI, Comitê Olímpico Internacional, com 205.
E como o Brasil não possui uma política nacional para o esporte, sem as Forças Armadas, nada disso seria possível, pois, o esporte hoje, exige
- Sofisticação de meios;
- Excelência no desempenho; e
- Recursos elevados.
E uma grande transformação em nossos dias, com o profissionalismo.

Sobre Profissionalismo, lembrou que na primeira Carta Olímpica (1920), o esporte era amador, sem salários, bolsas, prêmios, patrocínios, e os atletas tinham pouco tempo para treinar.
Na carta de 1938, determinava que os atletas não poderiam ganhar por aulas de Educação Física ou de qualquer esporte.
A partir de 1990, o esporte se transformou numa poderosa indústria, uma máquina de gerar e consumir recursos, instrumento valioso de propaganda, sem abrir mão dos valores que o Olimpismo estabeleceu.
Aí vieram as inovações tecnológicas, os novos equipamentos esportivos, a ciência a serviço do esporte, o combate ao dopping no esporte. O Marketing passou a ser a mola propulsora.
Uma manchete do estadão dizia há alguns anos que o esporte brasileiro deveria crescer 9,8% ao ano, seguindo uma tendência mundial.
A mesma reportagem dizia que, de 2011 até 2016, a receita de patrocínio deveria crescer 6,8% ao ano, no mundo. Pularia de US $ 35 bilhões (R$ 70 bilhões) para US $ 52 bilhões (R$ 104 bilhões).
Isso significa dizer que, no cenário nacional, o governo federal, através do Ministério do Esporte e da Secretaria Nacional de Esportes de Alto Rendimento, apoiariam ONG, o Comitê Olímpico do Brasil e as Confederações. A nível estadual, as Secretarias de Esportes, apoiariam as Federações e a nível Municipal, as Secretarias Municipais de Esporte apoiariam os Clubes e Associações Esportivas.
Mas de fato, não há uma Política Nacional do Esporte e fica o desafio de realizarmos um evento à altura da expectativa mundial.
Como desafio operacional, dotar o País, sobretudo o Rio de Janeiro da estrutura indispensável ao êxito do evento.
Para tanto, foram criados dois órgãos governamentais:
AUTORIDADE PÚBLICA OLÍMPICA – APO, Coordena a participação da União, o Estado do RJ e o Município do Rio, na preparação e realização dos JO e PO 2016, incluindo planejamento e entrega das obras e serviços necessários à realização do evento.
Era onde estava o General Fernando, hoje Comandante Militar do Leste – Nota do Editor.
EMPRESA OLÍMPICA MUNICIPAL – EOM, Empresa pública, vinculada à Prefeitura do Rio que coordena a execução das atividades e projetos municipais relacionados aos JO e PO 2016.

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Na estreia do basquetebol nos Jogos Desportivos do Exército - 2015, o Comando Militar do Planalto (CMP) venceu o Comando Militar do Nordeste (CMNE) por 79 a 39. Acesse http://www.cde.ensino.eb.br/jde/e veja mais notícias. |
As obras da Vila Olímpica vão bem. É um conjunto fabuloso de prédios em sete condomínios. São 31 torres, com 17 andares num total de 3.604 apartamentos.
São 19.602 camas... Já que são dois residentes por quarto e 9 por apartamento.
Só para terem uma ideia da grandiosidade de um evento como esse, só no restaurante principal, são cinco mil assentos, atendendo 24 horas por dia, pois, cada atleta, tem lá sua mania e horário de treinamento. Serão 50.000 refeições por dia.
O papel do Comitê Olímpico do Brasil é o de preparar as delegações olímpicas brasileiras, o TIME BRASIL, com base em projetos apresentados pelas 29 confederações. Investir no desenvolvimento técnico das 42 modalidades olímpicas e organizar o TIME BRASIL e proporcionar-lhe as melhores condições possíveis para participar das competições que constam do calendário do Comitê Olímpico Internacional.
Visão estratégica do COB: O esporte olímpico de alto rendimento transmite, sobretudo através dos atletas, valores como DISCIPLINA, SUPERAÇÃO, RESPEITO e MÉRITO PELA VITÓRIA.
O sucesso dessa atividade contribui para a imagem positiva do país. Inspirado nesses postulados, o COB pretende, em parceria com o Poder Público, entidades esportivas e patrocinadores, TORNAR A MANTER O BRASIL UMA POTÊNCIA OLÍMPICA.
Seus princípios básicos são o planejamento, a transparência, e a austeridade.
Mostrou o nosso quadro de medalhas (15) em 2008 e sua meta de chegar ao TOP TEN


Descreveu o cenário técnico, contratação de treinadores e coordenadores técnicos estrangeiros, serviços médicos e terapêuticos, e uma infinidade de detalhes como apoio para equipamentos esportivos específicos.

Mostrou que 2013 foi o melhor ano esportivo brasileiro e que estão se preparando para chegar ao TOP 10.

E assim terminou muito aplaudido.

Houve diversas perguntas e o Ten Monteiro fez a entrega do Diploma de Agradecimento ao palestrante. Entregou também aos que nos ajudaram como o Cel Fortes (Forte de Copacaba), Cel Brum (MMCL) e o General Stoffel que falou agradecendo, elogiando a iniciativa do CNOR, encerrando o evento.

Em dado momento, o Tenente Monteiro solicitou a presença à frente de toda a equipe da AORE/RJ e CNOR que trabalharam na organização do evento. Pela foto abaixo, nota-se que um evento dessa natureza, requisita um número grande de participantes na equipe de Organização, Planejamento e Execução. Foram homenageados com uma salva de palmas.

Ao final foram entregues Certificados de Agradecimento aos demais palestrantes e foi entoada a Canção do Exército.
A seguir, todos nos dirigimos para o salão contíguo (D. Pedro I) para um almoço de confraternização.




Veja também:
1º CAOR, o 6º de 6 (última jornada)

