Como vimos em Aconteceu o 17º ENOREX, o dia 20, uma terça-feira de sol de outubro, foi o dia da chegada das delegações, de todos os cantos do Brasil.

 

Eram camaradas que não se viam há muito e se abraçavam fraternalmente. Desde a manhã, estendendo-se pela tarde, um esquema de viaturas saía do Batalhão Tibúrcio para apanhá-los no aeroporto.

 

Os mineiros, em grande comitiva, vieram de trem desde Belo Horizonte, um belo trem moderno, o Trem da Vale, ou Estrada de Ferro Vitória a Minas. A Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) opera o único trem de passageiros diário no Brasil que liga duas regiões metropolitanas: Cariacica (ES) e Belo Horizonte (MG).

 

 

 

A equipe da AORE/ES, cujo Presidente é o Tenente Joelson se desdobrou no campo e tudo foi operado perfeitamente. Ao chegarmos íamos fazer o credenciamento e recebermos a pasta com agenda, caneco, camisa e boné.

 

Eu vim trazendo uma comitiva de ônibus que ficou alojada no 38º BI, logo, eu e Mergulhinha pegamos uma carona com o Tenente Miranda, meu colega no CNOR (Rio de Janeiro) que estava no mesmo hotel, o Hostess, na bela Praia da Costa.

 

A noite, como dito no artigo acima, a formatura e a Abertura solene do 17º Encontro Nacional de Oficiais da Reserva do Exército. Depois, um coquetel de confraternização.

 

No dia seguinte, 21 de outubro, tivemos então a esperada Jornada do Exército que aconteceu no grande auditório da EAMES (Escola de Aprendizes-Marinheiros do Espírito Santo) do outro lado da praça que a separa do 38º BI, Batalhão Tibúrcio.

 

A primeira palestra foi do General de Divisão Julio Cesar de Arruda, Diretor de Ensino Superior Militar.

 

A segunda foi do General de Brigada Joarez Alvez Pereira Junior que, na reunião do Alto Comando na semana seguinte ao ENOREx, foi promovido a General de Divisão.

 

Almoço

 

A terceira palestra foi do espetacular Cel Gélio Fregapani, um dos maiores conhecedores da Amazônia e seus (nossos) problemas.

 

Gelio Fregapani é um dos maiores conhecedores da Amazônia onde já esteve em praticamente todos os locais habitados e muitos dos desabitados, tendo varado largas extensões pela selva.

Já conduziu geólogos a ínvios lugares; chefiou expedições científicas às serras do extremo norte; desenvolveu métodos profiláticos para evitar doenças tropicais tendo saneado as minas do Pitinga e a região da hidrelétrica de Cachoeira Porteira; observou a problemática da extração madeireira; atuou na Serra Pelada e foi Secretário de Segurança em Roraima. Foi Assessor de Assuntos Estratégicos da Universidade Pan-Amazônica. 

No Exército, onde serviu por quatro décadas foi quase sempre ligados a Amazônia, foi um dos fundadores do Centro de Instrução de Guerra na Selva e um dos seus mais destacados comandantes. 

Consegue fazer-se entender em mais de uma língua indígena e é extremamente estimado por uma tribo de etnia Ianomami, que homenageou dando o nome dele a alguns de seus filhos. 

Coordenou a maior expedição cientifica Brasileira na Amazônia, atuou na Serra Pelada e observou a situação da exploração da madeira e do meio ambiente.


É considerado como mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva. 


Na Agencia Brasileira de Inteligência foi o coordenador do Grupo de Trabalho da Amazônia, que reunia os especialistas no assunto das Forças Armadas, Policia Federal, EMBRAPA e outros órgãos de Sistema Brasileiro de Inteligência.


Como Superintendente da Agencia Estadual de Roraima, da ABIN, teve um observatório privilegiado do problema da Raposa Serra do Sol. 


E suas observações sobre a Amazônia devem ser lidas por todos os que se preocupam com a nossa integridade territorial. 

 

Livros publicados:

A Amazônia no Grande Jogo Geopolítico – Um Desafio Mundial

Amazônia, a Grande Cobiça Internacional

No lado de dentro da Selva II

Segredos da espionagem - 2a edição

 

Sua palestra, como não poderia deixar de ser, foi denúncias e mais denúncias, coo faz a décadas. Mas ensinou um bocado em tão pouco tempo que lhe deram.

 

Mostrou a grosso modo, que se desenharmos a Amazônia como um retângulo e o dividirmos em três partes, que debaixo para cima são, Escudo Brasileiro, Bacia Sedimentar e Escudo das Guianas. A primeira, a grande floresta que, erradamente, pensamos ser toda a Amazônia. A sedimentar, como o nome indica, é a área mais pobre e alagada. Um Pântano gigante onde a terra é infértil já que sua cobertura é constantemente lavada pelas chuvas e enchentes. A rica e estratégica e a única coisa de valor em toda a Amazônia é a parte superior, fronteira com Venezuela e as Guianas. Lá estão as maiores reservas minerais do planeta, abundância de ouro, diamantes e outros metais e pedras preciosas. A maior reserva mundial conhecida de Nióbio também está lá na hoje Reserva Serra do Sol.

 

Nessa calha norte tudo muda onde começam as cachoeiras. Não há mais as gigantes florestas que conhecemos. São campos com vegetação rasteira, enorme área desabitada, alguns poucos índios e eventualmente alguns garimpeiros clandestinos.

 

Em direção à fronteira norte, altíssimas montanhas com florestas de encostas.

 

A fronteira norte foi abandona sempre pelo governo brasileiro por muitos motivos como as grandes distâncias, rios normalmente não navegáveis, clima agressivo ao homem e ao material, áreas operacionais de selva e de lavrado, incidência de doença, prioridade errada de recursos, área praticamente desabitada e, como o Cel Fregapani, como antigo Comandante do famoso CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) gosta de enfatizar, inércia, cegueira e covardia.

 

Denuncia sempre que o mundo pressionou governos fracos a demarcarem gigantescas áreas na calha sul como reserva indígena e o que temos lá?

Estão localizadas em áreas estratégicas, reservas hídricas, jazidas minerais e corredores de exportação.

Avançam continuamente sobre as áreas produtoras e em direção a fronteira, com grande extensão, interferência constante de multinacionais concorrentes.

Você já se perguntou por que na Amazônia temos mais de 2 mil ONGs estrangeiras trabalhando e no nordeste, por exemplo, com muita seca e necessidades de toda a sorte, quase nenhuma?

 

Citou lideres mundiais que desde há muito tempo, tentam se apossar da nossa Amazônia tentando criar uma nação indígena independente sob a proteção da ONU/OTAN... Lembra de algumas frases desses lideres?

 

“Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas.” 1983, Margareth Thatcher, Primeira-Ministra Britânica.

 

“Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós.” 1989, Al Gore, Vice-presidente dos EUA.

 

“O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia.” 1989, François Miterrand, Presidente da França.

 

“As nações desenvolvidas devem estender o domínio da Lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas ecológicas internacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandista para dar início a uma fase operativa que pode, definitivamente, ensejar intervenções militares diretas sobre a região.” 1992, John Major, Primeiro-Ministro Britânico.

 

“O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes.” 1992, Mikhail Gorbachev, Presidente da ex-URSS.

 

“Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem a sua disposição os recursos naturais não-renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos.” 1994, Henry Kissinger, Secretário de Estado dos EUA.

 

“Atualmente avançamos em uma ampla gama de políticas, negociações e tratados, em colaboração com programas das Nações Unidas, diplomacia bilateral e regional, distribuição de ajuda humanitária aos países necessitados e crescente participação da CIA em atividades de inteligência ambiental.” 1996, Madeleine Albright, Secretária de Estado dos EUA.

 

“Caso o Brasil resolva fazer um uso da Amazônia que ponha em risco o meio ambiente nos Estados Unidos, temos de estar prontos para interromper esse processo imediatamente.” 1998, General Patrick Hugles, Chefe do Órgão Central de Informações das Forças Armadas dos EUA.

 

“A Amazônia e as outras florestas tropicais do planeta deveriam ser considerados bens públicos mundiais e submetidos a gestão coletiva - ou seja gestão da comunidade internacional.” 2005, Pascal Lamy, Presidente da OMC.

 

“Novas pequena nações poderão alterar o mapa da América Latina até 2050.” Andres Oppenheimer, repórter.

 

A última do Cel Luiz Fernando Azevedo Delage, do CComSEx e antigo Comandante do 38º BI, justamente o que propôs em reunião de diretoria do CNOR em Brasília, Vila Velha para sediar este ENOREX.

 

Ao voltarmos para o 38º BI, a AORE/ES havia preparado uma série de show com grupo folclórico Bergfreunde de Campinho Domingos Martins - ES, danças de Congo (Banda de Congo Beatos de São Benedito) e umas comidinhas típicas.

 

Um belo entardecer, um bom começo de noite.

 

 

 

 

 


 

Joomlashack