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Indústria de material de defesa é assunto estratégico e não se compra tecnologia. Tem de se pesquisar e desenvolver sua própria. E também não se pode, nessa matéria, depender de fornecimento externo, pois, em caso de conflitos ou interesses externos, as compras desses itens sensíveis podem ser bloqueadas, até por interesses políticos e acordos diplomáticos com nossos potenciais inimigos. Outra coisa que dificulta o conhecimento dos brasileiros sobre as indústrias e conquistas nessa área de material de defesa, é que este assunto, armamento, é reservado e em todo o mundo, pouco ou nada se fala dele. Daí a importância da visita da comitiva da AORE?RJ pois nós, Oficiais R/2, inseridos no seio da sociedade muitas vezes em posições relevantes, e em todas as profissões e áreas da sociedade, como formadores de opinião, podemos levar esse conhecimento que muito nos envaidece e dignifica o nosso país. Foi com esse objetivo em mente que aceitamos o convite da IMBEL – Indústria de Material Bélico do Brasil, para visitar sua Fábrica de Juiz de Fora. A saída do CPOR do Rio de Janeiro estava combinada para às 6 da manhã. Em Juiz de Fora, no estacionamento da Lanchonete Salvaterra, famosa na entrada de Juiz de Fora, estaria nos esperando o Tenente Moreira, Presidente da Associação Juizforana às 08:30 h para que estivéssemos às 9, pontualmente, na Fábrica de Juiz de Fora. Quatro associados da AORE/RJ pernoitaram no Quartel para que não se atrasassem. Portanto, quando chegamos ao CPOR, notamos as luzes e movimento na Associação às 05:45h. Éramos onze e nos dividimos em dois carros, o do Ten Adalberto Marques e do Tenente Tadeu Helcio. A viagem foi agradável sob todos os aspectos e tranqüila. Chegamos ao Salvaterra às oito e aproveitamos para tomar um café no Carretão, próximo, pois a lanchonete estava ainda fechada. Lá se juntou ao grupo o Ten Mauro, Diretor da AJOREX. Ás nove, como combinado, estávamos no portão da Fábrica de Juiz de Fora da IMBEL. Fomos ao pavilhão de Administração onde já nos esperava diante de um grande mapa da área, o Cel R/1 QEM Jorge Menelau de Jesus, Engenheiro Mecânico e de Armamento, representando o Diretor – Ten. Cel Luis Fernando, ausente, e que antes de ingressar na AMAN na Arma de Engenharia, foi Oficial R/2 de Infantaria. No hall de entrada onde estávamos havia m os produtos, munições de canhões, obuseiros e morteiros, em exposição mas, num canto, o que chamava a atenção era a gigantesca granada do Scwerer Gustav. Schwerer Gustav e Dora são os nomes pelos quais ficaram conhecidos os canhões ferroviários 80 cm K (E) alemães. Os canhões foram desenvolvidos no final dos anos 30 pela Krupp, com o objetivo de destruir alvos fortificados. Pesavam cerca de 1344 toneladas, e podiam disparar projéteis de até 7 toneladas a uma distância superior a 37 km. Preparados para a Segunda Guerra, tinha-se por objetivo usá-los contra a Linha Maginot durante a Batalha de França. Um dos canhões foi usado na Rússia, no cerco a Sebastopol durante a Operação Barbarossa, sendo destruído ao final da guerra com o objetivo de evitar a sua captura. Mas ali, o Cel Menelau mostrava no grande painel toda a área da Fábrica, seus prédios, finalidades e demais detalhes. Depois, fomos para uma sala onde o Major Sejanes nos aguardava e onde seriam passadas as projeções. Na sala estava também o Homero, Chefe da Seção de custos industriais que conhecemos na LAAD com o André (que não estava presente agora), o Sr Marcus Vinicius que nos levou depois das duas palestras nesta sala, para correr os galpões industriais e ver as linhas de fabricação e carregamento das munições prontas e Jovito Feital, o analista de Informática.
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